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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Glifosato não é água

Glifosato não é água

Glifosato não é água

Estudos revelam que os herbicidas à base de glifosato, o agrotóxico mais comercializado no Brasil e no mundo, têm efeitos adversos para a saúde humana e dos animais e para os ecossistemas. Na base desse problema, está a falta de rigidez na regulamentação de seu uso: leia o artigo da CH 332.
Por: Sonia Corina Hess e Rubens Onofre Nodari
Publicado em 18/01/2016 | Atualizado em 18/01/2016
Herbicidas contendo glifosato são classificados como pouco tóxicos no Brasil e têm seu uso autorizado em vários cultivos. (foto: Andreas Levers / FreeImages) 
Em 1969, a empresa Monsanto obteve a patente do composto químico glifosato para uso como herbicida. O glifosato é o princípio ativo do produto comercial Roundup, que mata qualquer tipo de planta, exceto os vegetais transgênicos denominados RR (Roundup Ready), que foram desenvolvidos para serem resistentes ao referido produto.
Ao investigar a composição química de grãos de soja produzidos em Iowa, nos Estados Unidos, pesquisadores relataram, em trabalho publicado em 2014, que os grãos da soja geneticamente modificada Roundup Ready acumulavam glifosato, o que não foi observado em grãos de variedades não transgênicas. Além disso, foram encontradas diferenças substanciais na composição química dos grãos investigados, como os teores de proteínas, minerais e açúcares, evidenciando que a soja transgênica não tem o mesmo perfil químico e nutricional que a soja não transgênica produzida em sistema orgânico ou convencional. Não são, portanto, alimentos equivalentes.
Os grãos geneticamente modificados, contaminados com glifosato, são usados como alimento na criação de bois, porcos, ovelhas e frangos. Consequentemente, ovos, leite, manteiga, queijo e outros produtos animais são contaminados.
Desde 2005, também tem sido comum a aplicação de agrotóxicos à base de glifosato para secar plantas não transgênicas pouco antes da colheita de modo a facilitar esse processo, o que tem resultado no aumento de resíduos desses herbicidas em alimentos como trigo e cana-de-açúcar, entre outros.
No Brasil, herbicidas contendo glifosato e seus derivados são classificados como pouco tóxicos e têm uso autorizado nas culturas de algodão, ameixa, arroz, banana, cacau, café, cana­de­açúcar, citros, coco, feijão, fumo, maçã, mamão, milho, nectarina, pastagem, pera, pêssego, seringueira, soja, trigo e uva. Além do uso agrícola, esse agrotóxico é frequentemente aplicado em áreas urbanas para eliminar ervas em calçadas, ruas e jardins.
Além do uso agrícola, o glifosato é frequentemente empregado em jardinagem em áreas urbanas. (foto: Scot Nelson / Flickr / CC BY 2.0)
Em 2008, o Brasil se tornou o maior mercado mundial de agrotóxicos e, quatro anos depois, respondia por 19% das vendas desses produtos no mundo. Entre 2010 e 2012, os herbicidas à base de glifosato foram os mais vendidos no país, representando 29% do total das vendas. Em 2012, foram comercializadas, pelo menos, 187 mil toneladas desse produto e seus sais, quantidade equivalente a 920 gramas por habitante e que significa um aumento de 40% em relação a 2010 (ver ‘Paraíso dos agrotóxicos’, em CH 296).

Riscos à saúde humana e animal

Glifosato usado em jardinagemSegundo seu fabricante, o glifosato age como herbicida ao interromper a síntese de aminoácidos essenciais à sobrevivência do vegetal. Estudos recentes feitos com bactérias presentes no trato intestinal de humanos e outros animais concluíram que o composto bloqueia a síntese de aminoácidos e outros processos metabólicos dos microrganismos benéficos, que deixam de fornecer ao seu hospedeiro aminoácidos, neurotransmissores, hormônios, vitaminas, enzimas, entre outras substâncias, levando ao desenvolvimento de doenças. Por outro lado, bactérias patogênicas se mostraram altamente resistentes ao herbicida.
Essas pesquisas apontam que herbicidas à base de glifosato têm sido responsáveis pelo desencadeamento de doenças cada vez mais comuns na população, como desordens gastrointestinais, obesidade, diabetes, doenças cardíacas, depressão, autismo, infertilidade, câncer, doença celíaca, de Alzheimer e de Parkinson e intolerância a glúten.
Pesquisas apontam que herbicidas à base de glifosato têm sido responsáveis pelo desencadeamento de doenças cada vez mais comuns na população, como desordens gastrointestinais, obesidade, diabetes...
Os riscos desses herbicidas para a saúde humana e animal vêm sendo demonstrados ao longo dos anos por uma série de estudos, alguns dos quais serão destacados a seguir. Pesquisadores franceses relataram, em 2007, que o Roundup causou danos às células embrionárias e da placenta de seres humanos e de equinos e, em 2009, o grupo mostrou que quatro formulações comerciais de glifosato (Roundup), em concentrações da ordem de miligramas por litro (mg/L), causaram morte de células humanas placentárias, umbilicais e embrionárias. 
Outro trabalho de 2009 apontou que o glifosato desregula mecanismos endócrinos em células hepáticas humanas e, em 2012, demonstrou­se que o Roundup, em concentrações da ordem de miligramas por litro, induz a morte de células de testículos de ratos, entre outros efeitos indicativos de interferência hormonal nesses mamíferos. Coelhos brancos machos que receberam soluções de glifosato apresentaram diminuição do peso corporal, da libido, do volume das ejaculações e da concentração de esperma, além de aumento da quantidade de espermatozoides anormais ou mortos.
Em 2013, foi divulgado estudo que concluiu que o glifosato, na concentração de nanogramas por litro, induz a proliferação de células humanas de câncer de mama. Em 2014, pesquisadores inferiram que o aumento da incidência de problemas renais crônicos em uma região agrícola do Sri Lanka está associado à contaminação ambiental por herbicidas à base de glifosato, que resulta em acúmulo de sais nos rins das pessoas expostas.
Um estudo de longa duração divulgado em 2014 mostrou que ratos que beberam água contendo o herbicida Roundup (0,1 micrograma por litro) ou com milho transgênico tolerante a esse produto apresentaram cerca de 70 diferenças significativas em parâmetros sanguíneos, clínicos e urinários e no peso corporal e dos órgãos, além de modificação do consumo alimentar, se comparados com animais não expostos ao herbicida. Como resultado dessas alterações, aumentou o risco de desenvolvimento de câncer e danos nos rins, fígado e sistema gastrointestinal dos ratos, principalmente dos machos, e de câncer de mama nas fêmeas, assim como diminuiu o tempo de vida dos animais de ambos os sexos.
Você leu apenas parte do artigo publicado na CH 332. Clique aqui para acessar uma versão digital da revista e ler o texto completo.

Sonia Corina Hess
Departamento de Ciências Naturais e Sociais,
Universidade Federal de Santa Catarina, campus de Curitibanos
Rubens Onofre NodariDepartamento de Fitotecnia, Centro de Ciências Agrárias,
Universidade Federal de Santa Catarina
Ações 

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Problemas Respiratórios - O que fazer para se cuidar

Todos os anos, durante o inverno, aumenta o número de pessoas com problemas respiratórios. As temperaturas mais baixas elevam em cerca de 60% a incidência de resfriados, gripes e infecções respiratórias e piora das alergias respiratórias. “O tempo seco e frio, aliado à poluição ambiental e ao maior confinamento em ambientes fechados e pouco arejados, faz com que as pessoas com asma ou rinite tenham crises mais freqüentes e intensas”, diz o médico Antônio Condino Neto, pediatra da Unicamp e imunologista da USP. 


A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que existam de 100 a 150 milhões de pessoas com asma no mundo. Segundo a Academia Brasileira de Rinologia (ABR), cerca de 30% da população brasileira sofre de rinite alérgica e a taxa de pacientes com acometimento de doenças respiratórias (incluindo as doenças infecciosas) pode chegar a 50%. Alguns sintomas como narinas irritadas, sensação de ressecamento nasal e até sangramento do nariz podem afetar qualquer pessoa, especialmente aquelas com histórico de rinite alérgica. “Esses sintomas podem piorar os problemas respiratórios e, em alguns casos, aumentar o risco de infecções”, afirma o especialista. Segundo Condino, quando a mucosa do nariz está desidratada, a freqüência dos batimentos mucociliares – fina camada de cílios microscópicos que reveste a parte interna do nariz – fica paralisada e não desempenha sua função de filtrar o ar que entra no organismo. Os anticorpos e proteínas antimicrobianas presentes no muco nasal têm sua eficácia reduzida frente ao ressecamento nasal. “Como resultado, o sistema respiratório fica mais exposto aos componentes tóxicos ou irritantes presentes no ar (fumaça de automóveis, das indústrias e de cigarros), aos microorganismos inalados (vírus, bactérias, alérgenos) e à agressividade do ar-condicionado e do clima seco ou frio”, explica o médico. Para manter as vias aéreas livres de impurezas é recomendada a limpeza nasal, cerca de quatro vezes ao dia, com solução fisiológica, para impedir a entrada dos agentes indesejáveis ao trato respiratório. “Em ambientes em que o ar-condicionado provoca ressecamento da mucosa, a hidratação nasal é recomendada com objetivo de umidificar e conferir aos microcílios nasais seu pleno poder de defesa", diz a alergista. “Os cuidados para evitar o ressecamento nasal são importantes na prevenção de doenças e oferecem mais conforto ao paciente”, conclui.Dicas para controlar os agentes- Manter todos os cômodos da casa limpos e arejados - Revestir colchões e travesseiros com capa impermeável para facilitar a limpeza diária com pano úmido - Lavar as roupas de cama, no mínimo, uma vez por semana - Evitar o uso de tapetes, bichos de pelúcia e estofados de tecido (tapetes, carpetes, cortinas grossas são locais de alojamento de ácaros e poeira) - Manter as plantas o mais longe possível do interior da casa - Evitar o fumo em ambientes fechados - Eliminar as baratas, com dedetizações periódicas e higiene do local - Evitar a presença de animais domésticos, principalmente dentro de casa - Fazer a limpeza nasal, cerca de quatro vezes ao dia, com solução fisiológica - Praticar atividades físicas aeróbicas, que promovem a melhoria do funcionamento do sistema cardiorrespiratório - Ingerir bastante águaAsma e rinite – A asma se manifesta nos pulmões e a rinite no nariz. É um processo inflamatório crônico nas mucosas que recobrem as cavidades nasais e/ou brônquios. Ainda que a maioria dos pacientes apresente os sintomas desde pequenos e tenha melhoras ao longo dos anos, os problemas podem aparecer em qualquer faixa etária. São doenças crônicas, mas, quando tratadas adequadamente, podem ser controladas, permitindo que o paciente tenha uma excelente qualidade de vida.