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sábado, 26 de fevereiro de 2011

Brasileiros usam 150 bilhões de sacolas plásticas por ano

 Um levantamento inédito revelou que menos de 20% dos brasileiros levam sacolas retornáveis aos supermercados. É um dos percentuais mais baixos da América Latina.

Elas estão sempre ao nosso lado. São muito mais numerosas do que a gente e vivem muito mais tempo do que nós. Uma pesquisa feita em 200 mil domicílios de 11 países da América Latina mostra que, enquanto 77% dos bolivianos usam sacola retornável, entre os brasileiros, apenas 19% levam ao supermercado a própria sacola.

“Vou levar tudo isso de saquinho. Eu acho interessante porque eu acabo, quando eu chego em casa eu uso eles novamente, coloco lixo, essas coisas”, conta.

A pior coisa é ter em casa várias lixeirinhas, cada uma com uma sacolinha plástica que depois vão todas para outra sacola plástica maior. O melhor que se use, em vez de plástico, papel: jornal, por exemplo. É só você dobrar, fazer uma espécie de dobradura, e pode usar uma folha, duas folhas ou qualquer outro tipo de papel. É difícil, mas a gente precisa aprender a viver longe das nossas queridas sacolinhas plásticas.

Uma única sacolinha pode parecer inocente, mas o que dizer dos 150 bilhões de sacos plásticos que se usam no Brasil a cada ano? E das 100 milhões de toneladas de plástico que formam, em pleno Oceano Pacífico, uma ilha de plástico?

“O saco plástico, embora ele não seja degradável, ele é fragmentado durante o tempo. E esses pequenos fragmentos são comidos, por exemplo, pelas bactérias. Quem come as bactérias vai estar comendo plástico e o outro também até que nós estamos comendo plástico hoje. Não há dúvida nenhuma que nós estamos comendo plástico processado por bactérias, processado pelos peixes, processado por animais que estão em contato com o plástico já fragmentado”, explica Hélio Mattar, especialista do Instituto Akatur pelo Consumo Consciente. (Fonte: G1)

sábado, 31 de julho de 2010

Genes transformam bactérias em fábricas de “biopetróleo”


Cientistas de uma empresa dos EUA identificaram em bactérias genes responsáveis pela produção de moléculas com potencial combustível, uma espécie de biopetróleo.

A descoberta, realizada em bactérias fotossintetizantes – que utilizam gás carbônico e luz solar para a síntese do biopetróleo-, abre caminho para a produção de gasolina e óleo diesel renováveis.

A vantagem dessa abordagem é a possibilidade de aproveitar a infraestrutura global já montada (refinarias, postos, motores) para a produção de um combustível renovável que, de quebra, ocupa menos espaço para ser gerado que plantações de cana-de-açúcar para etanol.

Os cientistas da empresa LS9 Inc., de San Francisco, na Califórnia, escolheram 11 cepas de cianobactérias (algas azuis) cujo DNA completo havia sido decifrado.

Desse grupo, dez cepas produziam naturalmente alcanos, moléculas formadas por carbono e hidrogênio usadas como combustível devido a seu grande potencial energético.

As bactérias produziam principalmente pentadecanos (alcanos com 15 átomos de carbono) e heptadecanos (com 17 carbonos). Uma das cepas, porém, não produzia a substância.

Caça-genes – Para identificar os genes envolvidos na produção dos alcanos, os pesquisadores usaram uma estratégia de subtração. Primeiro, os genomas das dez cepas produtoras de alcanos foram alinhados no computador, como quem alinha fileiras de texto uma embaixo da outra.

Em seguida, genes da bactéria não produtora semelhantes aos das produtoras foram subtraídos. Dos 17 genes que restaram nas bactérias produtoras, dez tinham funções já conhecidas. Os sete restantes, portanto, eram os prováveis responsáveis pela produção de alcanos.

Em uma das bactérias, por exemplo, os pesquisadores identificaram dois genes que contêm a receita para substâncias fundamentais na transformação de um derivado da fotossíntese (um tipo de gordura) em alcano.

Mais tarde, seria possível inserir esses genes em outro micróbio, o qual funcionaria como biofábrica, produzindo alcanos em grande quantidade.

Segundo Andreas Schirmer, líder da pesquisa publicada hoje na revista “Science”, a LS9 espera produzir até 2013 barris de alcano por cerca de US$ 50 (R$ 88). A empresa patenteou os genes.

Para Gonçalo Pereira, do Departamento de Genética da Unicamp, o estudo mostra a importância de organizar as coleções de micro-organismos no Brasil. “Se não aproveitarmos nossa biodiversidade, vamos ficar sentados em cima de ouro.”

(Fonte: Luciano Grüdtner Buratto/ Folha.com)