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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

América Latina se compromete a reflorestar 20 milhões de hectares

 Sete países da América Latina se comprometeram neste domingo a replantar 20 milhões de hectares de terras degradadas até 2020, durante a Conferência Climática das Nações Unidas (COP20), celebrada em Lima.
Em um ato paralelo à cúpula da ONU, ministros da Agricultura e do Meio Ambiente de México, Peru, Guatemala, Colômbia, Equador, Chile e Costa Rica apresentaram o plano de recuperação de solos de seus respectivos países.
O México comprometeu-se a recuperar 8,5 milhões de hectares; o Peru, 3,2 milhões; a Guatemala, 1,2 milhão, e a Colômbia, 1 milhão.
O Equador se propõe a reflorestar 500.000 hectares; o Chile, 100.000 e a Costa Rica, 50.000. Além disso, foi lançado um plano regional para a preservação da Patagônia, que recuperaria 4,1 milhões de hectares e outro de florestas, de 1,6 milhões de hectares.
Estima-se que haja na América Latina 200 milhões de hectares de terras degradadas, segundo o Centro Internacional de Agricultura Tropical, sediado na Colômbia.
“No Peru, perdemos florestas a uma velocidade impressionante. As atividades que mais pressionam (o desmatamento) são a mineração ilegal, o sobrepastoreio e o plantio de coca”, alertou o ministro da Agricultura, Juan Manuel Benites.
“Precisamos encarar um replantio produtivo e conseguir uma agricultura neutra em carbono”, acrescentou.
Enquanto isso, o ministro argentino da Agricultura, Roberto Delgado, pediu que se detenha o desmatamento.
“Além de recuperar os solos, é muito importante que paremos de perder hectares”, disse.
O compromisso, conhecido como Iniciativa 20×20, que terá US$ 365 milhões em apoio de parte de investidores privados, bisa a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, gerados pelo desmatamento e pela mudança no uso do solo.
Segundo especialistas, a América Latina é uma das regiões do mundo mais vulneráveis às mudanças climáticas.
No sábado, líderes de diversas etnias indígenas da Amazônia brasileira, peruana, equatoriana e colombiana se reuniram para exigir os direitos sobre seus territórios diante dos delegados de 195 países que participam da COP20.
Vestindo trajes tradicionais, com colares e plumas, cerca de 500 representantes de comunidades indígenas da selva amazônica se reuniram na praia Agua Dulce, onde desenharam com seus corpos a imagem de uma árvore, unida ao rosto de um nativo, sob o qual apareciam os dizeres: “Povos + direitos, florestas vivas”.
“Queremos florestas livres de petróleo e de mineração, sem corte ilegal. Exigimos nossos direitos territoriais. Sem as florestas, os povos indígenas não podem sobreviver”, disse à AFP Henderson Rengifo, líder da etnia achuar e da Associação Interétnica de Desenvolvimento da Floresta Peruana (Aidesep), que convocou a mobilização.
Durante quatro horas, os indígenas fizeram várias atividades de “sensibilização” sobre a conservação florestal, bem como de seus meios de vida, com cânticos e danças tradicionais.
Os manifestantes lembraram o assassinato, em setembro, de quatro ambientalistas da etnia ashaninka, entre eles seu líder, o peruano Edwin Chota, supostamente morto a mando de madeireiros ilegais na localidade amazônica de Saweto.
“Não podem nos negar nossas terras. Estamos preocupados, não queremos mais companheiros mortos”, disse Rengifo.
Segundo a Aidesep, pelo menos 1.160 comunidades indígenas reivindicam títulos de propriedade no território em que estão assentadas na Amazônia. Diante dos delegados da cúpula da ONU, que se estende até o dia 12, as comunidades indígenas pediram a titulação de 20 milhões de hectares de floresta. (Fonte: UOL)

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Conferência de Lima não chega a acordo‏


Conferência não chega a acordo

Kerry pede a governos para encerrar debate sobre quem deve agir para conter emissões de carbono
(AE/AP/Reuters)
Lima – Em uma breve visita às negociações na cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima, em Lima, o secretário de Estado americano, John Kerry, pediu aos governos para encerrar os conflitos sobre quem deveria agir para conter as emissões de carbono, responsáveis pelo aquecimento global. “É responsabilidade de todos, porque é a quantidade de carbono que importa, não a parte de cada País”, disse Kerry, na quinta-feira. O secretário americano alertou que negligenciar a elaboração de um plano eficaz para combater a mudança climática seria um “enorme fracasso moral coletivo, com consequências históricas”.
Como dividir os cortes das emissões que muitos cientistas dizem ser necessários para evitar níveis perigosos de aquecimento é um grande ponto de discórdia nas negociações em direção ao pacto climático global que os governos pretendem adotar na cúpula em Paris, no próximo ano.
O otimismo injetado nas negociações em novembro com um anúncio conjunto de metas de emissões previstas pelos EUA e pela China desapareceu em Lima. Os países desenvolvidos insistem que as promessas devem se concentrar em esforços para controlar as emissões e estão resistindo a incluir promessas de financiamento para ajudar os países em desenvolvimento a combater as alterações climáticas.
Delegados expressaram surpresa que a China, apesar de seu anúncio conjunto com os EUA, continuou a insistir em claras linhas divisórias entre ações climáticas esperadas dos países desenvolvidos e em desenvolvimento. “Pensei que não seria tão severo como costumavam ser no passado”, disse Tony de Brum, ministro das Relações Exteriores das Ilhas Marshall, um dos pequenos Estados insulares que serão submersos pela elevação dos mares causada pelo aquecimento global.
Liu Zhemin, vice-chefe da delegação chinesa, destacou o princípio da convenção de clima da Organização da Nações Unidas em 1992 que os países ricos têm maior responsabilidade de combater a mudança climática. Ele chamou o anúncio do último mês, de acordo com o qual a China reduziria suas emissões até 2030, de “uma meta muito ambiciosa”, que exigiria grandes medidas.
Este ano caminha para se tornar o mais quente já registrado, e as perspectivas delineadas por um conselho de cientistas da ONU indicam que o mundo deve agir para cortar as emissões para zero antes de 2100. Marlene Moses, de Nauru, presidente da Aliança dos Pequenos Estados-Ilha, que teme o aumento crescente no nível dos mares, criticou a relutância chinesa de fornecer informações completas. Segundo ela, a China dizia “’vamos mostrar nossas cartas, mas não olhem’. Estão nos pedindo para assinar um acordo que nos deixa debaixo da água. Não é justo conosco.”
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Países latinos são criticados

Reuters
Lima – Países latino-americanos que participam das conversas climáticas desta semana em Lima, no Peru, foram criticados por seus planos de aumentar drasticamente a produção de petróleo. Algumas nações influentes da região presentes às negociações por um novo tratado global para tentar reduzir os gases de efeito estufa têm projetos para incrementar a produção e o uso de combustíveis fósseis, vistos como os principais culpados pelo aquecimento global.
O Brasil está investindo em áreas costeiras que podem render até 35 bilhões de barris de óleo equivalente recuperáveis. Ansioso por fontes de energia em um momento no qual as secas severas esgotam os reservatórios das usinas hidrelétricas, o País acaba de aprovar a construção de novas usinas movidas a carvão que serão parcialmente financiadas pelo governo. O México aprovou recentemente uma nova legislação que permitirá investimentos estrangeiros na produção de petróleo, rompendo o monopólio da estatal Pemex.

Fonte: Jornal "O Popular", de Goiânia, GO, edição de 13.12.2014, pág. 16 / Mundo.